#Review: os sabores de Revival, novo álbum da Selena Gomez

Selena conseguiu estabelecer sua carreira de forma bem interessante, não é mesmo? Poderia ser a garotinha teen que dança, faz musicas chicletes e usa roupinhas brilhantes o tempo todo. Mas não, tomou postura de mulher clássica e estilosa que sabe se portar. Ok, não é dona de uma voz poderosa, tão pouco atinge notas surpreendentes, mas vem cá… quem disse que precisa? Seu timbre é sensual, grave e adiciona um ar de maturidade para qualquer faixa.
Outro ponto positivo: Selena tem alinhado muito bem sua carreira e mostra amadurecimento em todos os sentidos. Insisto nesse ponto porque se você observar os looks da moça nas últimas aparições para divulgar o Revival, é de ficar de queixo caído. Ela adotou um estilo que lembra Victoria Beckham, apostando no básico, clássico e sensual. O que casou brilhantemente com sua imagem e voz.

Diante de suas colegas de Disney, arrisco dizer que Selena é quem mais soube se portar sem fazer muito alarde para imprensa. Mesmo em seu conturbado namoro com Justin Bieber, ela sempre tentou ficar fora os holofotes (mesmo sendo quase impossível). Nunca fez questão de nada disso e em momentos de problemas pessoais ou saúde, apenas se ausentou.

Revival celebra tudo isso: a chegada da maturidade, a descoberta da mulher, do corpo, da força interior e da sensualidade:

“Eu mergulhei no futuro, mas eu estou cega pelo sol. Eu renasci em cada momento, então quem sabe o que eu vou me tornar… Ultimamente, eu sinto como se tivesse despertado, as correntes em torno de mim estão finalmente se quebrando. Eu estive sob auto restauração, estou me tornando minha própria salvação. Me mostrando mais, sem me esconder. A luz dentro de mim está estourando, brilhando. É o meu, meu, meu tempo de ser uma borboleta…”

O álbum é aberto pela faixa título. Batidas sensuais conduzem o ouvinte para uma produção delicada e nada apelativa. A letra tem conteúdo e é agradavelmente deliciosa. Selena brinca com seu timbre e soa aveludada, sentimental… cada palavra é realmente cantada do coração.

“Eu admito, tem sido doloroso, mas eu vou ser honesta, eu sou grata… É o meu tempo de realizar, tudo que eu aprendi é tão vital, mais do que apenas sobrevivência este é o meu renascimento”

Neste projeto Selena não quer ser vista com uma garotinha vingativa e cheia de ódio. Só tem amadurecimento e honestidade e Kill Em With Kindness é a prova. A faixa, que tem início com assobios viciantes (é sério, não vai sair da sua cabeça) passa uma mensagem de paz muito, mas muito legal.

“O mundo pode ser um lugar desagradável. Não temos que cair em desgraça, abaixe as armas que você está usando para lutar e mate-os com bondade… Suas mentiras são balas, sua boca é uma arma e nenhuma guerra baseada na raiva ganhou alguma coisa”.

Precisa dizer mais alguma coisa sobre Kill Em With Kindness? Não né. A letra arrasa e cala a boca de muita gente que fica de mimimi por aí. Selena quer fazer o trabalho dela e isso não inclui dar corda para os haters.

Hands To Myself chega com foco na voz e mostra a transformação da menina para uma mulher que se descobre sexualmente. Selena surpreende e a mudança no tom da sua voz, no refrão, chama atenção. O crescimento da faixa também é um destaque que nos envolve do início ao fim.

Same Old Love, segundo single, já é bem conhecida. É uma faixa diferente do que está tocando nas rádios e o que mais gosto nela é a voz sexy de Selena que proporciona um clima todo especial. Se a ouvisse na voz de outra cantora provavelmente não gostaria tanto.

 

 

Sober também conhecida como a música sobre Justin Bieber é uma baladinha bem poderosa, tem batidas envolventes e Selena brinca com sua voz, tornando-a ainda mais interessante de ouvir. Na letra ela canta:

“Você não sabe como me amar quando você está sóbrio, quando a garrafa acaba, você me puxa pra perto e fica dizendo todas aquelas coisas que deveria dizer. Mas você não sabe como me amar quando você está sóbrio… Você tem um poder sobre mim, você é como um sonho desperdiçado.
Eu te dei tudo, mas você não sabe como me amar quando você está sóbrio”.

Na sequência vem a já icônica Good For You, que é a melhor, mais sexy e incrivelmente envolvente faixa do álbum. Todos esperavam por uma upbeat pra arrebentar na balada como primeiro single do Revival e quando Selena lançou Good For You, deixou muitos de queixo caído. E com razão, né? No momento faixa trouxe uma sonoridade completamente inesperada para a cantora, mas tudo nessa nela é perfeição. Deveria constar no dicionário como a definição de: sexy sem ser vulgar.

 

 

Camouflage também parece ser sobre Justin Bieber. Sendo ou não, é uma balada voz e piano extremamente honesta e com letra pura. A voz de Selena está delicada, como um desabafo…

“Eu tenho tanta merda para dizer, mas eu não posso deixar de sentir, como se eu estivesse camuflada, uma fortaleza em volta do meu coração. Você era meu ontem, agora eu não tenho nem ideia de quem você é. É como se você estivesse camuflado, mas é bom vê-lo aqui novamente e eu não quero dizer adeus”.

Me & the Rhythm chega para animar (sensualmente, é claro) as coisas. Selena é – literalmente – conduzida pelo ritmo, imagino-a fechando os olhos e curtindo a melodia dessa faixa que é perfeita para dançar sozinho em casa. Tem coisa melhor?

 

 

Survivors também é um ponto alto do álbum. Trata das dificuldades e vitórias da vida, tudo lidado com muito amor. É uma midtempo com ritmo envolvente e produção impecável.

Em Body Heat Selena desperta a latina dentro dela. A faixa é uma das mais radiofônicas até aqui e  em alguns momentos lembra produções do Diplo ou até mesmo algo que Madonna gravaria para o Rebel Heart.

Rise é sobre motivação. A faixa começa parecendo uma baladinha bem morna, mas ao chegar no refrão surpreende (tem até coral) tornando tudo mais interessante. Rise é super gostosa para ouvir num dia de sol, passeando de carro e sentindo o vento bater. Deu pra imaginar?

Me & My Girls é uma uptempo underground, envolvente, absurdamente sexy e com influências latinas. Com certeza é a melhor uptempo do álbum e traz uma mistura de estilos que tem tudo pra criar o clipe mais sexy da carreira da cantora. Essa faixa é para Selena, o que Dirrty foi para Christina Aguilera.

Depois da lacração de Me & My Girls as coisas perdem um pouco da graça. Nobody, Perfect, Outta My Hands (Loco) e Cologne, são bem mais ou menos, se comparadas ao restante do álbum. Justifica que sejam bonus tracks e não façam parte da tracklist da versão standard.

Revival é um álbum incrível, certamente define um marco na carreira de Selena Gomez e a partir daqui as coisas mudam drasticamente para ela. De menina só ficou o rostinho bonito, o resto evoluiu para um mulherão. As músicas mostram maturidade em todos os sentidos: desde o conceito abordado e as letras com conteúdo, até as produções deliciosas. Em Revival Selena aceitou sua voz e usou-a da melhor forma possível: com confiança e sem tentar se esforçar demais. Ficou perfeito!

 

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